A pesquisa da professora Suzana Nixdorf foi premiada este ano, durante evento internacional de química
Método desenvolvido por cientistas da UEL pode tornar mais precisa a identificação de misturas presentes no produto que chega ao consumidor
Por causa disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) baixou, no ano passado, a normativa 16, que estabelece critérios rígidos para garantir a qualidade do produto oferecido ao consumidor e define exigências de porcentual máximo de impurezas (até 1%), umidade (até 5%) além de um padrão básico de sabor, aroma e fragrância. O problema é que o método de identificação das impurezas é feito de forma difícil e complicada – através da identificação celular – que poucos laboratórios estão aptos a realizar e no qual não se identifica exatamente a impureza que foi acrescida. Quanto à qualidade, os testes mais aceitos são de paladar, utilizados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Porém, uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) pode resolver o problema, tornando testes do tipo mais ágeis e acessíveis. Coordenada pela professora Suzana Lucy Nixdorf, a pesquisa é realizada também pelas estudantes de pós-graduação Elis Daiane Pauli, Franciele Barbieri e Júlia Estéfane Martins de Abreu, com a participação do professor Carlos Alberto Paulineti da Câmara, responsável pelo desenvolvimento do software que vai ajudar nas futuras avaliações. O trabalho já rendeu o primeiro prêmio – entre 210 concorrentes - num congresso realizado em setembro na Feira Internacional de Tecnologia para Laboratórios, Análises, Biotecnologia e Controle de Qualidade – Analítica Latin America.
Segundo Suzana, o método tradicional exige avaliação feita por especialista em células vegetais e é totalmente subjetivo, com o agravante de não se conseguir determinar a porcentagem de impurezas na mistura. “Até se consegue identificar o adulterante, mas para dizer a porcentagem exata, como determina o Mapa, é difícil. Por isso, é preciso ter equipamentos e técnicas mais elaboradas para chegar nesse nível de refinamento”, conta.
Para o engenheiro agrônomo, classificador e provador de café do Mapa em Londrina, Francisco Barbosa Lima, se essa metodologia desenvolvida na UEL se mostrar eficiente, pode vir a agilizar o processo que hoje é praticamente manual. “Para fazer uma análise é preciso secar, desengordurar, peneirar, colocar as amostras no microscópio. Só se tem condições de processar poucas amostras por dia, em laboratórios credenciados”, explica.
Análise usa cromatógrafo e modelos matemáticos
A pesquisa da professora Suzana Nixdorf começou há 20 anos, quando decidiu tornar mais fácil a avaliação do café. Ao longo do tempo, foi adaptando máquinas para fazer análises até construir, em parceria com o professor Carlos Câmara, um cromatógrafo especial. É nele que são analisados os carboidratos presentes em cada substância amostrada. O cromatógrafo emite gráficos que trazem todo perfil da estrutura. Já foram analisadas as estruturas do café arábica, do robusta, das cascas e paus de café, da soja, do milho, triticale, cevada e vários outros produtos que são comumente adicionados ao pó de café. Estão sendo finalizados os estudos sobre as diferentes torras, que também podem alterar as estruturas.
Segundo ela, com a máquina desenvolvida por eles, qualquer pessoa com treino em laboratório poderá utilizar a técnica. “O que nós fizemos de diferente foi montar um cromatógrafo totalmente adaptado de partes de componentes industriais já existentes, com software desenvolvido pelo professor Carlos Câmara”, diz. A grande vantagem, explica a pesquisadora, é que, além de cada composto, também vai identificar a quantidade de cada um.
Paralelamente, o grupo está desenvolvendo outra metodologia, para triagem, que utiliza equipamentos comuns nos laboratórios. “Com esse software, os laboratórios poderão perceber rapidamente se há algo estranho com as amostras e encaminhá-las, então, para um [laboratório] mais especializado”, diz. Segundo ela, são “superfícies de repostas”, que dispensam a análise ponto a ponto daquelas amostras que estiverem adequadas. “É um modelo matemático, quase como o que acontece nos exames laboratoriais de saúde, por exemplo”, afirma. Nesse perfil matemático, o grupo contou com a participação da professora-doutora Ieda Scarminio.
A previsão é que o estudo só esteja completo daqui a um ano e meio e a intenção do grupo é disponibilizar a tecnologia para todos os interessados.

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