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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ortigueira, no norte do PR, é o segundo município em produção de mel no Brasil

Município detém 1,35% da produção nacional e é o maior produtor de mel no Estado; resultado é fruto da organização dos apicultores e da profissionalização do segmento

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em outubro, apontam um crescimento significativo na produção de mel em Ortigueira, município situado na região norte do Paraná. Nos anos anteriores a 2010, o volume produzido representava 0,6% da produção nacional. No entanto, o fomento à atividade apícola, iniciado em 2009, a partir da revitalização da Associação de Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel), com o apoio do Sebrae/PR, mudou essa realidade.

Atualmente, Ortigueira é o segundo maior produtor de mel do Brasil e detém 1,35% da produção total de mel do País. O município é líder do ranking no Paraná, com cerca de 10% da produção do estado. O primeiro lugar ficou com o município de Araripina, em Pernambuco, com 655 toneladas, uma diferença de apenas 145 toneladas na comparação com Ortigueira, que alcançou a marca de 510 toneladas. A produção total do Paraná em 2010 foi de 5,4 mil toneladas. O principal estado produtor foi o Rio Grande do Sul, com 18,7% de participação no total nacional.

Fabrício Pires Bianchi, consultor do Sebrae/PR, acredita que a organização dos produtores impulsionou a produção de mel em Ortigueira e foi determinante para os resultados alcançados até agora no município. “Nos dois últimos anos, conseguimos dobrar nossa participação no cenário nacional graças à promoção de ações que estimularam a cooperação e o aumento do valor agregado ao produto, a partir da transferência de tecnologia, melhoria da gestão e comercialização do mel”, argumenta.

Além da Apomel, os apicultores da região contam com o Programa Apis, criado pelo Sebrae/PR, Prefeitura de Ortigueira, Apomel, Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e Consórcio Energético Cruzeiro do Sul (CECS) e com o apoio do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e da Universidade Tecnológica do Paraná (UFTPR).

De acordo com o consultor do Sebrae/PR, uma das mais importantes ações do  Programa Apis é o processo de identificação físico-química, sensorial e microbiológica do mel produzido em Ortigueira. O estudo é resultado de uma parceria entre Sebrae/PR, Iapar, UTFPR, e Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti).

A caracterização do mel ortigueirense terá grande relevância mercadológica. Segundo Fabrício Pires Bianchi, o produto da região é conhecido como um dos melhores do Brasil. Contudo, até então, não havia nenhuma comprovação científica que atestasse a qualidade.

A pesquisa vai validar a qualidade do mel, o que aumentará o valor agregado e atrairá novos compradores. Além disso, a notoriedade científica e a identificação do produto viabilizarão o processo para a obtenção da Indicação Geográfica (I.G.) do mel produzido em Ortigueira. A I.G. é concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

O projeto é inédito refletirá na competitividade dos produtores. Até então, não existia qualquer forma de controle na produção. A pesquisa oferece benefícios para os apicultores. Eles receberão o resultado da análise das amostras e poderão perceber os pontos positivos e as falhas do produto, melhorando ainda mais o processo de produção. O relatório apresenta uma tabela comparativa entre os valores referencias de qualidade e o valor de cada amostra individual.

Ana Mozuski Kutz, presidente da Apomel, relata que o projeto vai permitir que os apicultores conheçam o produto produzido de maneira técnica. A caracterização dos atributos do mel produzido na região vai possibilitar identificar se um produto é do município de Ortigueira ou não. “Tudo isso vai agregar mais valor ao nosso produto”, frisa Ana Mozuski Kutz.

Segundo ela, uma das metas da Apomel é a construção de pontos de venda para comercialização dos produtos e subprodutos do mel produzidos pelos associados. “Outro objetivo é a constituição de uma cooperativa para facilitar o comércio interno e externo do mel”, adiantou a presidente da Associação.

Resultados parciais
Maria Brígida dos Santos Scholz, pesquisadora do Iapar que coordena o projeto, explica que dados parciais demonstram que a cor clara é uma peculiaridade do mel produzido em Ortigueira. Das 62 amostras analisadas, 56 (que representam 90%) estão acima da coloração âmbar claro. Entre as 56 amostras, 39 apresentam uma coloração extra-branco. “Essa característica, que tem relação com a florada da região, deve aumentar o interesse de exportadores europeus, que valorizam o mel claro”, diz.

http://www.jornaluniao.com.br/noticias.php?editoria=2&noticia=MTYzNDQ=

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