Universidade atingiu 88% de aprovação, enquanto o índice nacional ficou em 30%; grade curricular, corpo docente e empenho dos alunos são apontados como causa do bom desempenho dos londrinenses
Clayton Domingues de Oliveira (1º lugar) e Rodrigo Vidi (2º lugar) estavam entre os 42 inscritos pela instituição. A UEL obteve 88,1% de aprovação na prova. Apesar de não haver uma divulgação do ranking de desempenho das universidades, o índice da UEL está bem acima dos números totais do Estado e do País. Dos 15.486 graduados dos cursos de bacharelado em Ciências Contábeis de todo o Brasil, apenas 4.653 foram aprovados, o que representa 30%. No Paraná, o índice é parecido: dos 1.255 candidatos que compareceram para fazer a prova, 36% ou 458 foram aprovados.
Semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Exame de Suficiência Contábil é obrigatório para a obtenção ou restabelecimento de Registro Profissional no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), a partir deste ano. O profissional de contabilidade que já possuía o CRC antes da resolução de setembro 2010 fica dispensado da prova. “Com certeza, existem bons e maus profissionais e o exame é muito positivo nesse sentido, porque valoriza os bons. O resultado mostra que a maioria do pessoal não levou a sério. Mas quem quer fazer um trabalho sério, deve tirar de letra”, analisa o vice-presidente do Sindicato dos Contabilistas de Londrina (Sincolon), Paulino José de Oliveira.
A professora Maria Aparecida Scarpin, do departamento de Ciências Contábeis da UEL, avalia o resultado geral do Brasil como preocupante e atribui parte do mau desempenho à proliferação de escolas, que acabam colocando profissionais pouco preparados no mercado. “Foi uma surpresa. Mas nós da UEL estamos muito felizes com o resultado. Reformulamos nosso projeto pedagógico há três anos pensando no mercado, e tem dado certo. É uma grande responsabilidade soltar um contador no mercado e esse exame foi uma das melhores coisas para nós, porque obriga o aluno a estudar.”
Para o coordenador do curso da UEL, José Aylton Nogueira, além da grade curricular, a capacitação dos professores e o empenho dos alunos contribuem para a formação de profissionais diferenciados. “Nosso corpo docente conta com três doutores e seis doutorandos. Dos 25 professores, apenas três não são mestres.” De acordo com Nogueira, a contabilidade é uma área em expansão e o exame é importante, pois funciona como filtro de quem realmente é qualificado. “Uma reportagem recente mostra que se fossem colocados mais 50% de contadores no mercado, ainda faltariam profissionais.”
Rotina de estudo de cinco horas por dia
Cinco horas de estudo por dia Segundo colocado no primeiro Exame de Suficiência Contábil, Rodrigo Vidi formou-se em Contábeis pela UEL no ano passado e, desde então, já foi aprovado em dois concursos públicos. Com uma rotina de cinco horas de estudos diários, ele conta que a prova envolvia conteúdos de todo o curso e “não estava difícil”. “Eu já estava estudando para concurso e achei bem tranquilo. Foi uma surpresa. Não sabia da minha colocação, porque eles não divulgaram. Isso saiu na Revista Brasileira de Contabilidade. Inclusive, meu irmão foi o sétimo colocado.” Para ele, além dos bons professores, o diferencial para se dar bem na carreira é o estudo solitário. “Vale a pena. Você estuda durante um ano e depois fica tranquilo. O curso da UEL ajudou [no desempenho da Universidade no Exame], mas os alunos também são muito bons”, defende. Antes de cursar Contábeis, Rodrigo se formou em Direito e também tirou OAB. Atualmente, ele trabalha na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e está voltando para Londrina, onde foi aprovado em um concurso da Prefeitura. “Acho que vou ficar por aqui, porque minha família e minha noiva são daqui. Como o trabalho é meio período, estou vendo se consigo advogar também.”http://www.jornaldelondrina.com.br/online/conteudo.phtml?tl=1&id=1190253&tit=Alunos-da-UEL-sao-primeiros-em-Exame-de-Suficiencia-Contabil-

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